Psicologia & Comportamento

Autovitimização inibe potencial e inviabiliza a vida.

auto piedade
João Carlos
Escrito por João Carlos

O que fazer quando começamos a ter pena de nós mesmos?

“− A vida não está fácil para ninguém.”
Não há no mundo uma pessoa que não tenha ouvido isso, ou até mesmo, que já não tenha dito a alguém. No entanto, essa é uma verdade que por mais que repitam, nunca acreditamos de fato nela.

Quando pensamos acerca dos nossos problemas e limitações, sempre tendemos a acreditar que a nossa vida é pior, que os nossos problemas são mais difíceis de resolver, que se tivéssemos nascido numa determinada família tudo seria mais fácil, ou se tivéssemos outra aparência que não a nossa, seríamos mais felizes. Infelizmente é comum sempre acharmos que a nossa “cruz” é maior e mais pesada.

E é aí que muitos caem na armadilha da auto piedade: aquele sentimento de que o mundo conspira contra nós e de que estamos sendo frequentemente injustiçados.

Acredito que todo ser humano experimenta esse sentimento algumas vezes na vida, uns mais intensamente do outros. A diferença é o modo de como lidamos com isso. Alguns sucumbem a vitimização assumindo de vez a carapuça a do fracasso, outros dão dois tapas na cara em frente ao espelho, engolem o choro, e seguem em frente.

Afinal, o que fazer quando começamos a ter “peninha” de nós mesmos?

O hábito de se vitimizar tem grande potencial de prejudicar seu cérebro e sua capacidade de julgamento.

Com o tempo, caso essa “penificação” se torne algo constante, poderá criar sinapses em nosso cérebro gerando impulsos emocionais que nos farão sempre acreditar que somos as criaturas mais injustiçadas da terra. Você não será mais capaz de racionalizar seus problemas. Em poucas palavras, seu cérebro sempre entrará em modo automático depreciativo toda vez que surgir alguma situação em que (aparentemente) você seja prejudicado por algo ou alguém. Tais processos mentais comprometem totalmente o seu senso de realidade.

Não se acostume em ser objeto da pena dos outros.

Infelizmente muitos se viciam na auto piedade porque conseguem com isso colher alguns benefício para si. Como sua auto imagem está totalmente destruída, eles não se importam em ter qualquer autonomia. Na verdade, sequer a desejam. Acham mais garantido contar com a pena dos outros do que com sua própria capacidade.

Recorra às técnicas da terapia cognitivo comportamental.

Resumindo, a TCC te ensina a mudar a rota que está pré estabelecida em sua mente. Lembre-se que uma vez que você adquire o hábito de se vitimizar, seu cérebro cria atalhos mentais que conduzem você ao mesmo caminho de sempre. Por isso você sequer consegue controlar. Mas com paciência e insistência faça o exercício mental de sempre racionalizar o oposto daquilo que você sente e pensa. Isso quebrará o ciclo vicioso e você poderá construir novos hábitos e pensamentos, dessa vez mais saudáveis.

Enquanto estiver nessa condição, tenha muito cuidado com os impulsos. Sua mente tem sido mais sua inimiga do que sua amiga. Com o tempo você irá aprender a neutralizar essa tendência e aos poucos recuperará sua capacidade de se enxergar como você realmente é.

Conclusão

O hábito da auto piedade é um dos fatores mais responsáveis que nos impedem de explorar todo nosso potencial. Uma vez que você se enxerga com tanta inferioridade, nunca irá despertar seus verdadeiros dons e talentos. Precisamos aprender a andar sobre as incontingências da vida sem esmorecer, e lidando devidamente com as consequências dos nossos atos de cabeça erguida.

Enfrente-se, e não deixe com que esse hábito nocivo destrua você!


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Sobre o autor

João Carlos

João Carlos

João Carlos é um maltrapilho anônimo brincando de ser escritor. Em dias comuns, trabalha para sustentar seu vício em café e chocolate. Na folga, gasta a maior parte do seu tempo colecionando pensamentos subversivos. Repudia clichês, mas não resiste a uma alma sincera.