Desenvolvimento Pessoal

Como lidar com o passado sem afetar o presente?

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Débora Duarte
Escrito por Débora Duarte

Por que habitar palácios de nostalgia quando a vida pulsa neste instante lá fora?

A memória é um dos mais fascinantes recursos para nossa sobrevivência. Sua principal característica é o fato dela ser seletiva. Não suportaríamos lembrar de tudo, mesmo dos momentos bons. Esquecer tudo também seria problemático. A questão é que a gente cria estratégias para driblar a memória em sua nobre função de nos proteger.

Fotos são um ótimo exemplo. Experimentou abrir uma caixa de fotos antigas ou uma pasta no computador com imagens que você nem lembrava que existiam? Vem um nó na garganta na hora. Lembranças de pessoas que se foram, momentos, sons (vozes, risadas..), até cheiros vêm à tona! É um turbilhão de emoções. A distância no tempo torna tudo ideal. Vemos os sorrisos nas fotos e esquecemos que eles podem ter sido precedidos por lágrimas. Sorrimos nas fotos porque queremos nos obrigar a só lembrar do que é bom. Mas será que é bom lembrar? Ou seria melhor esquecer? Quem decide isso? Quando e como?

Outro mecanismo criado por nós para interferir no processo de construção da nossa memória são as datas comemorativas. Associamos a palavra “comemorar” a alegria, celebração, mas ela quer dizer simplesmente lembrar; recordar; memorar junto. Dessa forma, comemoramos nascimentos, mas também falecimentos, vitórias e fracassos. Estabelecemos aniversários estranhos, fúnebres e nos constrangemos a solenemente honrá-los, quer faça-nos bem ou mal.

Construímos monumentos imaginários usando memórias como matéria-prima. Estes são como âncoras nos prendendo ao passado, real ou idealizado.

O passado não pode ser uma prisão. O que vivenciamos em outros tempos nos ajuda a forjar nosso caráter, nossa história, mas não podemos sabotar nossa existência no presente contaminando-o excessivamente com o passado.

Por que habitar palácios de nostalgia quando a vida pulsa neste instante lá fora?

Pensar essas coisas me faz sentir menor, e menor, e menor, cada vez menor diante da grandeza da vida. Quero aprender a abrir caixas de fotos, quero demolir monumentos funestos, quero aprender a sentir saudade, quero aprender a viver o presente. Porque no fundo, é só o que temos mesmo, o hoje. Um grande sábio já nos disse “basta cada dia o seu mal.”

Sobre o autor

Débora Duarte

Débora Duarte

Débora Duarte é professora de História, mãe da Isabela e esposa do Felipe. Fascinada pela vida em todos os sentidos, busca refletir sobre seus diversos aspectos, dos mais sutis e corriqueiros aos mais complexos e profundos.