Psicologia & Comportamento

Procrastinação reduz capacidade cognitiva.

procrastinação
João Carlos
Escrito por João Carlos

Entenda como a procrastinação pode reduzir sua capacidade cognitiva e melhore sua qualidade de vida tornando-se mais ativo e inteligente.

A multidão de procrastinadores tem crescido de forma exponencial nas últimas décadas, sobretudo pelo fato de que nunca houve na história uma era com tanta tecnologia, entretenimento e uma avalanche de informação que nos esmaga já nos primeiros minutos do dia. É comum a sensação de que ao ignorarmos uma mensagem de texto ou notificação estaremos perdendo algo muito importante. Estamos viciados em mídias sociais e entretenimento, e por isso acabamos entupindo nosso cérebro dia após dia com notícias irrelevantes e atualizações inúteis que servem apenas para desgastar nossa mente.

Mas qual seria a relação entre excesso de informação e procrastinação?

Um grupo de pesquisadores no Canadá promoveu alguns testes com 2 mil pessoas e constataram que o tempo de atenção do ser humano já é menor que a de um peixinho dourado. Sim, é isso mesmo que você leu. Em níveis de atenção estamos perdendo até para os peixinhos. E eles acreditam que isso se deve ao acelerado avanço tecnológico das últimas décadas. Não surpreende que com o bombardeio que nosso cérebro sofre a cada minuto do dia, ficaria mesmo difícil manter seu bom desempenho.

Em tempos remotos, a procrastinação era associada à preguiça e falta de objetividade, mas estudos recentes confirmam que ela está ligada à nossa incapacidade de focar em uma atividade de cada vez devido aos múltiplos estímulos que a nossa mente recebe. E pior, o hábito de procrastinar gera perda de capacidade cognitiva, baixa concentração e estresse. Falando no português claro, é como se procrastinar nos deixasse mais “burros”.

Para ilustrar melhor, podemos comparar nosso cérebro como uma CPU de computador, e que cada tarefa que realizamos é uma aba que abrimos em nosso “navegador”. A cada aba que você abre, será consumida mais memória e desempenho de sua CPU, logo, caso você abra outras abas simultaneamente, isso consumirá cada vez mais o seu desempenho. Nosso cérebro funciona de maneira semelhante: cada tarefa não concluída é uma aba que fica aberta consumindo nossa memória, prejudicando consideravelmente nosso foco e concentração. Quando deixamos uma tarefa para depois, ela não é completamente esquecida. Pelo contrário, ela continuará ocupando parte de nossa mente que usará sua capacidade de forma fragmentada enquanto aquela tarefa não for um assunto concluído. Ou seja, com a mente poluída de tarefas mal acabadas, você nunca será capaz de atingir todo o seu potencial, pois não estará usando sua capacidade cognitiva de maneira integral.

Para deixar de lado esse hábito terrível de adiar as coisas e de quebra ainda ficar mais inteligente, é preciso estabelecer uma regra áurea que irá reger sua vida daqui em diante: termine tudo aquilo que começar. Parece simples demais, mas ao adotar este princípio e segui-lo religiosamente, logo você estará livre desse destrutivo ciclo vicioso ao qual se aprisionou. Com o tempo, devido à redução do acúmulo de tarefas, ficará mais fácil seguir essa premissa de realizar uma tarefa de cada vez, dado que não estará sempre lotado de coisas a fazer.

Níveis de ansiedade e estresse tendem a reduzir, assim como também a qualidade do sono tende a melhorar. Os momentos de lazer serão mais leves e divertidos, uma vez que não haverá mais sentimento de culpa por estar desfrutando de um lazer que não merece por saber que deixou dezenas de obrigações não concluídas para trás.

Concluindo…

É importante ter em mente que se deve fazer uma coisa de cada vez, e mais do que isso: estar realmente presente no momento, vivendo o eterno agora. Separe tempo para fazer cada atividade que precisa ser feita, e não pense na próxima, apenas esteja presente e faça tudo conscientemente. Não permita que atividades não-acabadas continuem ocupando espaço em sua mente. Saiba fazer melhor proveito dessa poderosa máquina que você tem e conquiste coisas incríveis na sua vida.


Leia também: O “Modus Operandi” de um procrastinador. Descubra qual é o seu!

Sobre o autor

João Carlos

João Carlos

João Carlos é um maltrapilho anônimo brincando de ser escritor. Em dias comuns, trabalha para sustentar seu vício em café e chocolate. Na folga, gasta a maior parte do seu tempo colecionando pensamentos subversivos. Repudia clichês, mas não resiste a uma alma sincera.