Insights

O resgate da simplicidade

simplicidade
João Carlos
Escrito por João Carlos

Sobre a incrível lição que as nostálgicas lembranças do passado são capazes de nos ensinar no presente.

Um tema que instiga minha consciência é pensar no motivo pelo qual o passado de [quase] todos parece ter sido mais interessante do que o presente.

Quem nunca se sentiu nostálgico de lembrar como as brincadeiras eram mais divertidas, os assuntos mais agradáveis, as músicas eram as melhores, e como as coisas mais simples da vida eram capazes de render boas risadas e nos proporcionar prazer e satisfação? Investigando o passado, muitos podem comprovar de maneira incontestável de que tudo parecia ser melhor, e que eram mais felizes.

Não deveria ser assim. Já que faz parte do senso comum que quanto mais possuímos e conquistamos, mais seremos felizes e realizados. Contudo, parece que há algo errado nesse raciocínio, já que não é o que acontece na realidade.

Afinal… qual seria, então, o agente de mudança responsável por nos roubar a felicidade simples do passado? Temos uma forte inclinação a acreditar que são as circunstâncias da vida que alteram a nossa cosmovisão. Todavia, creio que seja o contrário.

“A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o seu corpo terá luz… Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso.” (Bíblia Sagrada)

Sábias palavras do Mestre Jesus.

Embora as circunstâncias da vida sejam implacáveis, o causador do nosso mau humor crônico pode ter infinitamente mais a ver com a nossa perspectiva de mundo. Com o tempo nosso olhar vai perdendo o brilho, a cor, a pureza, e a possibilidade de ver beleza nas coisas simples da vida. É compreensível que faça parte da prerrogativa do adulto a seriedade, postura, responsabilidade, e não deixar-se levar por emoções. Mas talvez seja esse o nosso maior defeito: Levar a vida muito a sério.

Enchemo-nos de ocupações que nos roubam a sensibilidade de viver cada momento intensamente como se fosse único. Tudo é feito de forma mecânica e vertiginosa. E com o tempo que sobra gastamos enaltecendo nosso ego pelos resultados obtidos.

A pureza do olhar se tornou antiquada demais para os novos tempos, e o amor foi banalizado por uma geração que valoriza mais aquilo que pode ter, do que o Ser.

Jesus ensinou que o Reino dos Céus são para aqueles que são semelhantes às criancinhas. Então, que voltemos à fascinação do primeiro amor e à simplicidade do olhar de uma criança.

 


Leia também: E se falássemos apenas a verdade uns aos outros?

 

Sobre o autor

João Carlos

João Carlos

João Carlos é um maltrapilho anônimo brincando de ser escritor. Em dias comuns, trabalha para sustentar seu vício em café e chocolate. Na folga, gasta a maior parte do seu tempo colecionando pensamentos subversivos. Repudia clichês, mas não resiste a uma alma sincera.