Desenvolvimento Pessoal

O que podemos aprender sobre resiliência com Nelson Mandela.

João Carlos
Escrito por João Carlos

Quatro lições do maior Símbolo da luta contra o Apartheid, na África do Sul.

Mandela foi um dos homens mais influentes e sábios do nosso século. Um homem intocável. Esquadrinhando sua autobiografia é possível extrair tesouros que enriquecem nosso espírito, revigora nossas forças, e nos ensinam a arte de passar por adversidades sem perder o bom ânimo:  a chamada resiliência.

Justiça não é sinônimo de vingança. Perdoar é o melhor caminho.

“O perdão liberta a alma, afugenta o medo. Por isso é uma arma tão poderosa.” – Nelson Mandela

Mandela tinha tudo para odiar quem o oprimia. E de fato, por ser humano, certamente ele odiou aqueles que humilhavam seu povo. No entanto, Mandela sabia direcionar sua ira. Para ele, a vingança sempre foi um caminho nocivo. Mesmo com todos os motivos para se vingar, ele sabia que o melhor caminho era o da reconciliação.

Se você decide engajar-se numa vida cujo propósito é vingar-se do seu opressor, então, você já entrou nessa briga derrotado. Odiar demanda tempo. É como um buraco negro que suga todas as suas energias. Perdoar, é deixar ir aquilo que te fez mal. Alimentar o ódio em nome da “justiça”, apenas aprisionará sua alma para sempre ao seu opressor. Perdoar não é ser idiota, pelo contrário: é se preservar. Seu inimigo te fez mal durante muito tempo em sua vida, não deixe que ele o faça para sempre.

Não se deixe levar pela emoção.

Enquanto preso, Mandela aprendeu a preservar o bem mais precioso que tinha no momento: sua mente. Não correspondeu aos impulsos advindos daquilo que tentava consumi-lo. Pelo contrário, ele sabia que deveria manter-se forte, e sabia que para isso precisaria manter sua mente blindada.

Diante do caos, muitos de nós sucumbimos à emoção e acabamos caindo na auto vitimização. Por mais que o momento seja difícil, é necessário desenvolvermos um olhar racional sobre o que realmente está acontecendo. Por vezes nossas emoções ampliam problemas que seriam solucionados facilmente. É claro que, como no caso de Mandela, às vezes os problemas parecem insolucionáveis. No entanto, é preciso estar atento às circunstâncias à nossa volta, e para isso, precisamos tirar o foco do sofrimento. Gastar muito tempo digerindo problemas podem nos distrair a ponto de nos cegar para as oportunidades que a vida nos dá.

Não entregue-se ao acaso. Estratégia é fundamental para alcançar seus objetivos.

Mesmo preso, Mandela tinha um sonho: Unir a África do Sul. Talvez, se fosse qualquer um de nós nas mesmas circunstâncias que ele, consideraríamos isso impossível. Pois, parece não haver muito que se fazer numa prisão. Com Mandela não era assim. Ele visualizava o problema, agia estrategicamente, e sabia usar as circunstâncias ao seu favor.

Paciência era o ponto forte de Madiba (como era chamado em seu clã). Seu primeiro objetivo na prisão foi simplesmente conseguir calças compridas para os detentos. E ao ser indagado por seus companheiros sobre essa questão, disse que eles teriam tempo necessário para agir sutilmente até que tivessem seu desejo atendido. Tempo era o que eles tinham demais, portanto, poderiam agir com cautela e sutileza.

Devemos esquecer o imediatismo imposto pelo mundo moderno, e entendermos que o futuro se constrói com paciência e perseverança. Estamos viciados na pressa. Tornou-se perda de tempo planejar e montar estratégias em longo prazo para alcançar um objetivo. O problema é que não nos avisaram que a vida não está nem aí para o nosso imediatismo. As coisas simplesmente não acontecem da forma como – e quando – queremos. Não é a toa que parecemos estar cada vez mais ansiosos e frustrados.

Se quisermos algo, devemos planejar e colocar a mão na massa. Não podemos nos dar o luxo de esperar que a sorte nos alcance. Podemos – e devemos – lutar com as armas que temos no momento. Embora às vezes nossas armas pareçam inúteis de tão pequenas, ainda será melhor do que nada. Nunca subestime o poder da perseverança.

De vez em quando é necessário dizer o que as pessoas não querem ouvir.

Mandela contrariou seu próprio povo a fim de acabar com a guerra civil em seu País. Todos queriam lutar, queriam vingança contra os brancos. Mas Mandela ensinou-lhes outro caminho, um caminho de reconciliação. Ele não se deixou levar pela pressão, e até sua própria família não aprovava suas decisões. Mesmo contrariado, Mandela dizia-lhes aquilo que eles não queriam ouvir, contudo, o que era melhor para todos. Embora estivesse na contra mão do senso comum, Mandela manteve-se firme como uma rocha e imutável em seus conceitos pacificadores.

É preciso que se enxergue com os próprios olhos. Somos seres pensantes, algo totalmente único em toda a criação. Devemos fazer bom uso disso. Questionar é mandatório para quem deseja manter-se senhor da própria mente, e, saber dizer “não”, em alguns casos, é uma questão de sobrevivência no mundo de hoje. Jamais devemos trair nossa própria consciência. Mesmo que isso implique em contrariar as pessoas mais próximas, devemos tomar muito cuidado com o efeito manada.

Acredito que a força principal que impulsionava Mandela era o amor. Para ele, todo ser humano nasce com um potencial natural para amar. Fugir disso é fugir da própria natureza. Permita que o amor te impulsione e seja a fonte das tuas energias. Que seja o seu parâmetro maior na tomada de decisões. Esta é a única e verdadeira riqueza que vale a pena perseguir durante nossa jornada nesse mundo.

Abaixo deixo um pequeno poema, chamado “Invictus”, do poeta inglês William Ernest Henley. Segundo Mandela, era nesse poema que ele encontrava forças sempre que esmorecia na prisão.

Dentro da noite que me rodeia,

negra como um poço de lado a lado,

eu agradeço aos deuses por minha alma indomável.

Nas garras cruéis das circunstâncias,

eu não tremo, nem me desespero.

Sob os duros golpes da sorte,

minha cabeça sangra, mas não se curva.

Além desse lugar, de raiva e choro,

paira somente o horror.

E ainda assim, a ameaça do tempo vai me encontrar,

e deve me achar destemido.

Não importa se o portão é estreito,

não importa o tamanho do castigo,

eu sou o senhor do meu destino,

eu sou o capitão de minha alma.

Sobre o autor

João Carlos

João Carlos

João Carlos é um maltrapilho anônimo brincando de ser escritor. Em dias comuns, trabalha para sustentar seu vício em café e chocolate. Na folga, gasta a maior parte do seu tempo colecionando pensamentos subversivos. Repudia clichês, mas não resiste a uma alma sincera.