Psicologia & Comportamento

O direito de ser introvertido e o Ideal da Extroversão no mundo

introvertido
João Carlos
Escrito por João Carlos

Se você já foi chamado de antissocial, tímido, quieto demais e até de metido, então é muito provável que você sofra bastante por ser alguém introvertido.

Para entendermos como a introversão passou a ser considerada um fator limitante àqueles que buscavam o sucesso, precisamos entender como a extroversão se tornou um Ideal de ser em quase todas as sociedades. 

Escrito por Susan Cain, o livro “O Poder dos Quietos” narra a história de um jovem chamado Dale Carnegie. Filho de um dono de uma fazenda de porcos, Dale sentia que de certa forma não gostaria de ter o mesmo futuro do pai. Mas ainda se achava medroso demais para ousar caminhos diferentes.

Um dia, um orador chegou ao vilarejo onde Dale vivia. Esse orador fazia parte de um movimento que enviava oradores por todo país falando sobre literatura, ciência e religião. Dale sentiu-se cativado pelo jovem orador, principalmente com o conto que ouvira sobre o pobre que ficou rico. Dali em diante, Dale nunca mais seria o mesmo. Entrou para a faculdade, e em meio a várias tentativas e erros, passou a ser o melhor orador do campus. Quando se formou, mudou-se para Nova York e dava aulas sobre como falar em público. Em 1913 escreveu seu primeiro livro: “Como falar em público e influenciar pessoas no mundo dos negócios.”

A jornada de Dale Carnegie se tornou um ponto de partida para o Ideal da Extroversão. Estávamos migrando de uma época onde havia o Culto ao Caráter – como denominou o historiador de cultura Warren Susman – para o Culto à Personalidade.

No Culto ao Caráter, era valorizado o homem sério e disciplinado, e tudo girava em torno de honra e respeito.

Já no Culto à Personalidade, o foco passou ser a impressão que era deixada nas pessoas. O ideal passou a ser o sujeito ousado e divertido.

Daí em diante, a partir da globalização, nosso mundo foi modificado para o que conhecemos hoje.

Se você é introvertido, com certeza já passou por algum constrangimento em público, e até sofreu preconceitos pelo seu jeito de ser. Isso por que a sociedade foi ensinada e condicionada a aceitar e admirar apenas aqueles que sabem se impor, que são comunicativos e dinâmicos. Você provavelmente já colocou essas qualidades no seu currículo. No mundo corporativo, esse tipo de comportamento se tornou um padrão imprescindível.

Esse condicionamento vem desde a nossa infância. Você já percebeu a preocupação que certos pais têm quando seus filhos são quietos demais? Muitos até brigam com eles, e se incomodam quando não correspondem da maneira como eles gostariam. Crianças caladas, que quase sempre preferem ficar em seu canto, são incentivadas a se soltar mais, e erradamente são comparadas àqueles colegas que parecem ter nascido para brilhar.

Algumas características de um introvertido.

  • Os introvertidos são aqueles que em meio a uma festa, ficam a vontade apenas em sua mesa, aliás, eles nem gostam muito de festas.
  • São aqueles que quando adolescentes aprendem a tocar um instrumento ou qualquer outro tipo de arte, pois, talvez seja a melhor forma que encontram de se expressar.
  • Quando adulto, nunca será do tipo de impor regras e se destacar. Ficará demasiadamente nervoso quando estiver sendo avaliado.
  • Quando faz um bom trabalho espera que o chefe reconheça sem que ele tenha que alardear, porque se dependesse disso, ele certamente passaria despercebido.
  • Não tem nenhum problema com a solidão. E se tem uma coisa que detestam, é jogar conversa fora, mas estão sempre dispostos a um bom papo.

Embora os introvertidos tenham um jeito reservado e quieto, saiba que muitos se tornaram ícones, e foram grandes influências no mundo. Abaixo alguns exemplos:

Albert Einstein
– Bill Gates
– Steve Jobs 
– Barack Obama
– Mark Zuckerberg

E há centenas de outros exemplos de pessoas que não se renderam ao estereótipo imposto pela sociedade, e foram bem sucedidas.

Se você é introvertido, lembre-se que você pode ser de grande importância, mas nunca deixando de aceitar o seu jeito e suas particularidades. Aproveite seu alto poder de concentração, de reflexão, sua sensibilidade, e sua capacidade de ouvir. Grandes personalidades que mudaram o nosso mundo tinham as mesmas qualidades que você tem. Não desperdice seu potencial.

 

Sobre o autor

João Carlos

João Carlos

João Carlos é um maltrapilho anônimo brincando de ser escritor. Em dias comuns, trabalha para sustentar seu vício em café e chocolate. Na folga, gasta a maior parte do seu tempo colecionando pensamentos subversivos. Repudia clichês, mas não resiste a uma alma sincera.