Crônicas & Poemas

Meu pequeno mundo…

Meu pequeno mundo...
Escrito por Gustl Rosenkranz

Pode chamar de maluquice ou utopia, mas tenho meu mundo particular e ele é só meu, mesmo que eu gostaria que fosse de todos. Sim, eu tenho um pequeno mundo, meu mundinho, onde pinto e bordo do jeito que quero e onde as coisas são como espero. Ele existe porque insisto em crer que nosso mundo real poderia ser muito melhor.

Por Gustl Rosenkranz

Ah, meu pequeno mundo! Sim, eu tenho um pequeno mundo, meu mundinho particular, onde pinto e bordo do jeito que quero e onde as coisas são como espero. Pode chamar de maluquice ou utopia, mas tenho esse mundo e ele é só meu, mesmo que eu gostaria que fosse de todos. Não é que eu queira um mundo real perfeito, igualzinho ao meu pequeno mundo, só de coisas boas, não, não é isso. Mas eu insisto em crer que nosso mundo poderia ser muito melhor e meu pequeno mundo me ajuda nessa crença.

É meu mundo especial, onde imagino e, assim, tudo é diferente. É meu mundo pessoal que arrumo e ajeito como bem entendo, não (somente) para fugir da dura realidade do mundão lá fora, mas principalmente para recompor a mim mesmo, para alimentar minha alma e sustentar minha crença de que é possível vivermos num mundo melhor, bastando que queiramos e que tenhamos a coragem de imaginá-lo e praticá-lo, mais humano, mais profundo, mudando assim nosso destino e o destino de nosso mundo.

Em meu pequeno mundo, a tristeza é esmagada pela solidariedade dos felizes, flores feridas são adubadas pela compaixão de todos e a dor da solidão é amenizada pelo toque de carinho de pessoas estranhas na rua. Em meu pequeno mundo, tudo é claro e iluminado, mesmo à noite, com a vida não se perdendo no sono das pessoas, pelo contrário: em meu pequeno mundo, acordamos e levantamos e nos encontramos em sonhos, saímos para as ruas, nos abraçamos e iluminamos a escuridão, a vencemos, cada um com sua própria, mas juntos formando uma só luz: a luz do mundo.

Em meu pequeno mundo, as pessoas não se perdem em discussões e bate-bocas sem fim, não brigam e não matam, não roubam e não maltratam, pois a lei maior é o respeito, sim, o respeito, por si mesmo e principalmente pelo outro, por seu espaço e por sua humanidade, que o torna igualmente digno de existir e ser feliz. É o respeito pela criação, pela vida, pela natureza, por tudo que temos de comum, por tudo que é de todos, por tudo que é do mundo.

Em meu pequeno mundo, o amor não é pecado, mas sagrado, guerras terminam em abraços, fofoca vira real interesse, maldade e agressividade se transformam em delicadeza e sonhos viram realidade.

Em meu pequeno mundo, a fome evapora na partilha, injustiças são curadas pela sensatez, o sofrimento é asfixiado pelo afeto, os pensamentos são livres, mas os sentimentos também, e nós pensamos então alto sem medo e gritamos amor cheios de confiança e com a esperança de que este meu mundinho minúsculo um dia vire semente e dê um salto, pipocando para cima e dando mil cambalhotas, explodindo em seguida e espatifando-se em milhões ou mesmo bilhões de pedacinhos, se espalhando e contagiando o mundo inteiro e todo mundo, de modo profundo, transformando-nos naquilo que deveríamos e urgentemente precisaríamos ser: seres que realmente amam!

Talvez assim entendêssemos que Deus, já que somos sua semelhança, é homem (e mulher, tudo junto!) como nós, que então já há um homem no céu e que já está mais que na hora de finalmente (!) começarmos a ser deuses na Terra.

Publicação original: Escritos de Gustl Rosenkranz

Sobre o autor

Gustl Rosenkranz

Escrevo sem luvas porque tocar é importante.