Crônicas & Poemas

Instantes para ler e sentir.

sentir
Débora Duarte
Escrito por Débora Duarte

Colocar os pés na areia e sentir a brisa no rosto. Olhar o mar. Mergulhar no mar. Sentir cada centímetro do corpo sendo tocado pela água gelada e salgada. Afundar. Prender a respiração, soltar o corpo, soltar a alma. Deixar a onda levar o peso, se sentir leve. Sem medo de afogar, sentir o carinho do mar.

Sol fraquinho numa manhã linda de inverno. Céu azul purinho, sem nuvem alguma. Sol tímido e carinhoso, afagando o rosto que se levanta para ver aquela imensidão infinita.

Barulho das folhas secas arrastando no chão, varrendo a rua de incertezas vazias, limpando o chão pra gente correr, pegar impulso pra voar.

A chuva caindo lá fora e escorrendo pela janela. Vidro embaçado. Frio no corpo, coração quente, paixão vibrando lá dentro. Chega a acelerar.

Amigos, risadas, ombros soltos, piada boba, piada interna. Planos de viagens que não sairão do papel, lembranças de momentos vividos, certeza da presença mesmo na distância. Completude e parceria de vida.

Beijo. Aquele beijo que tem cheiro, tem gosto, tem nome e sobrenome. Aquele beijo que toca a alma, desperta o desejo. Aquele beijo que parece uma dança. Na boca, na testa, no queixo, na nuca, na alma.

Aquele momento em que tudo em volta para. Em que a pessoa mais importante do universo está ali na sua frente ou aqui nos seus braços. Aquele instante fotográfico, poético. Você olha em volta e se pergunta se mais alguém notou como a vida é fabulosa, como é preciosa. Mas é um mistério, nunca se sabe. Só que existe um código e de repente você acha que desvendou alguma coisa. Conseguiu se comunicar consigo mesmo, com o outro, com Deus. Entendeu um pouquinho mais do que é viver plenamente. E gostou!

Pôr do sol invade a sala. Você consegue parar para ouvir aquela melodia que vem de dentro. A vida é. Ela pulsa em cada canto, em cada micro canto. E para o seu espanto, você enxerga isso.

Que a poeira das horas não embace tudo outra vez.

Mas se embaçar, corre pro mar. Coloca os pés na areia, sente a brisa no rosto e mergulha de novo, na vida.

Sobre o autor

Débora Duarte

Débora Duarte

Débora Duarte é professora de História, mãe da Isabela e esposa do Felipe. Fascinada pela vida em todos os sentidos, busca refletir sobre seus diversos aspectos, dos mais sutis e corriqueiros aos mais complexos e profundos.