Psicologia & Comportamento

Frustração social e dependência de internet: sair da zona de conforto é preciso

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Leonardo Guimarães
Escrito por Leonardo Guimarães

É mais saudável, e talvez mais rico emocionalmente, que o indivíduo procure desenvolver suas habilidades sociais ao invés de mascarar suas frustrações com auxílio da internet.

A internet é um meio de comunicação que facilita a comunicação entre pessoas distantes e agiliza o acesso à informação. Nos dias de hoje, parece indispensável para diversas atividades ocupacionais, tendo em vista a grande utilidade que representa. Todavia, alguns indivíduos apresentam dificuldades de fazer uso adaptativo desta magnífica ferramenta de trabalho e lazer, podendo desenvolver a chamada dependência de internet.

A dependência de internet é uma desordem do grupo dos transtornos do controle dos impulsos. Como o nome sugere, trata-se de uma condição na qual o indivíduo não consegue controlar os impulsos de estar conectado à internet, podendo apresentar irritabilidade quando ficam impossibilitados de fazê-lo.

Há alguns estudos mostrando que indivíduos com esta patologia usam a internet principalmente para promover interação social, sendo muitas vezes indivíduos que, no contato físico, não possuem habilidades sociais consideravelmente desenvolvidas, podendo ter um baixo número de amigos e apresentar comportamentos socialmente desajustados. Segundo a matriz psicológica cognitivo-comportamental, tal dependência costuma ser uma forma desajustada de lidar com crenças mal-adaptativas a respeito de si mesmos e do mundo, que se formam em indivíduos que sentem-se sem apoio social e até mesmo familiar.

Se considerarmos aspectos biológicos e evolutivos, pode-se dizer que a seleção natural favoreceu humanos que estabelecem vínculos sociais satisfatórios, de modo que seus descendentes tendem a apresentar uma necessidade inata de estabelecer tais vínculos. O uso da internet modificou significativamente a forma pela qual estabelecemos contato com as pessoas as quais somos vinculados atualmente, alterando em alguns casos inclusive a forma em que os vínculos são formados. Assim, indivíduos que não foram estimulados a desenvolver suas habilidades sociais em relações físicas, conseguem prosperar socialmente em suas vidas virtuais.

Não há absolutamente nenhum problema em se relacionar virtualmente, e não estou sugerindo que teríamos uma vida melhor se a partir de hoje não fizéssemos mais nenhum contato virtual com nossos amigos. Mas acho pertinente relatar que estudos acerca da dependência de internet mostram que o uso desadaptativo desta pode causar sofrimentos ao indivíduo.

Ainda que relações virtuais satisfaçam momentaneamente a necessidade de interação social, estas relações tendem a ser desprovidas de emoções. É mais saudável, e talvez mais rico emocionalmente, que o indivíduo procure desenvolver suas habilidades sociais ao invés de mascarar suas frustrações com auxílio da internet. Muitas vezes tal processo não é fácil, considerando que estes indivíduos são inclinados a permanecer em sua zona de conforto, mas é justamente fora da zona de conforto que a vida real acontece.

Sobre o autor

Leonardo Guimarães

Leonardo Guimarães

Leonardo é estudante de Graduação em Psicologia e Pesquisador de Iniciação Científica pelo Centro Universitário Cenecista (UNICNEC), situado na Cidade de Osório, Rio Grande do Sul. Possui interesse pelos mecanismos neurais de doenças neurodegenerativas e de diferentes transtornos de ansiedade. Atualmente, é integrante de um Projeto de Pesquisa que investiga o papel do ambiente familiar na etiologia dos transtornos de ansiedade.