Desenvolvimento Pessoal

Quem quer agradar demais acaba drenando as próprias energias.

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João Carlos
Escrito por João Carlos

O maior ladrão de sua energia pode ser você mesmo.

Quem já se sentiu esgotado depois de uma conversa ou de um certo tempo socializando com alguém ou algum grupo, conhece bem a sensação de ter tido suas energias drenadas. É apavorante a capacidade que algumas pessoas possuem em drenar as nossas energias de tal maneira que ficamos loucos para fugir e voltar ao nosso estado normal de equilíbrio.

Fato é que nem sempre conseguimos fugir a tempo, e em nosso dia a dia é comum termos que lidar com situações e pessoas que nos desanimam, nos cansam, e parecem sugar toda a energia do nosso corpo.

Mas você já se questionou o porquê  disso? De onde vem esse poder? Por que eles conseguem o que conseguem?

Refletindo com um pouco mais de atenção, percebemos que há algo que nos consome muito mais energia do que qualquer vampiro emocional: nossa necessidade doentia em querer agradar ao mundo inteiro.

Eu sei. É claro que ninguém deseja ser lembrado e reconhecido como aquela pessoa que azeda os ambientes aonde chega. É inerente ao ser humano sentir-se querido e admirado, do contrário, caso não tenhamos aprovação imediata, logo nos antipatizamos em relação àqueles que demonstram não gostar de nós.

Quando nos vemos na obrigação de interagir com pessoas que consideramos (mesmo que inconscientemente) superiores a nós, sofremos grande estresse devido à quantidade de cortisol que é liberado em nosso organismo. O cortisol tem a função de nos manter em completo estado de alerta – o que seria bem vindo caso estivéssemos perdidos na selva – porém, se seu cérebro entende que a pessoa com quem você está conversando é uma ameaça, o cortisol será liberado da mesma forma como se estivesse perdido no meio de uma floresta correndo perigo de ser devorado por um urso pardo. Como consequência, você já pode imaginar os problemas que isso pode ocasionar: após horas sendo submetido a tanta pressão e estresse, seu corpo e sua mente estarão totalmente exaustos e implorando para que você fuja para um local seguro e de preferência solitário.

Pessoas mais introvertidas tendem a apresentar mais este tipo de problema, visto que frequentemente se sentem inadequados em ambientes sociais onde precisam se expressar além do que gostariam. Sendo assim, por vezes acabam assumindo traços ilegítimos de personalidade a fim de agradar, ou, de no mínimo não ser tão criticado.

O segredo para impedir que a sensação de esgotamento recaia sobre você, é simplesmente racionalizar o problema: entender que você não precisa e não tem a obrigação de agradar ninguém em detrimento de si mesmo.

Segundo conta a lenda, assim como os vampiros só entram numa casa após terem recebido um convite, podemos aplicar o mesmo princípio quando se trata de “vampiros emocionais”, dos quais só poderão nos fazer algum mal àqueles a quem dermos o aval para que exerçam poder sobre nós. E a forma como permitimos isso é quando nos importamos demais com julgamentos alheios acerca de nós.

Isto compreendido, você ficará mais tranquilo para lidar com pessoas e situações que antes lhe deixavam tenso. Quando forçamos a barra no intuito de agradar alguém, fazemos mal tanto a nós quanto a quem queremos agradar. Pois, ficam terrivelmente visíveis nossas patéticas tentativas de nos enquadrarmos numa fôrma que não é a nossa.

Quando nos livramos desses estereótipos que nós mesmos criamos para nos integrar à sociedade, nos tornamos livres, autênticos, e muito mais interessantes.

Lembre-se de como você age com os amigos mais próximos, aqueles que conhecem teus defeitos e gostam de você. Você poderia passar horas conversando com eles, sem sequer sentir o tempo passar. Por que? Porque não há nenhuma “obrigação” nas entrelinhas. Você está sendo você, sem aditivos, sem máscaras.

Jamais se submeta à vontade insana que (quase) todos têm de querer agradar ao maior número de pessoas possível. Nem mesmo os melhores seres humanos que já viveram entre nós conseguiram esta façanha, sequer tentaram. Aprenda e faça como eles.

Sobre o autor

João Carlos

João Carlos

João Carlos é um maltrapilho anônimo brincando de ser escritor. Em dias comuns, trabalha para sustentar seu vício em café e chocolate. Na folga, gasta a maior parte do seu tempo colecionando pensamentos subversivos. Repudia clichês, mas não resiste a uma alma sincera.