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Consumismo é armadilha para quem busca satisfação.

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João Carlos
Escrito por João Carlos

O consumismo produz satisfação efêmera. Não caia mais nessa armadilha e esteja preparado para experimentar uma real e legítima satisfação.

Talvez o conceito de que não é necessário muito para ser feliz seja um dos valores considerados mais retrógrados por essa geração. Tendo em vista os apelos publicitários e campanhas de marketing atuais, muitos foram convencidos de que precisam consumir cada vez mais para sentirem-se satisfeitos ainda que essa efêmera satisfação sucumba ao lançamento do próximo smartphone da moda.

Em tempos de escassez – como é o caso de milhares que foram afetados pela crise no Brasil – o princípio de contentar-se com pouco vem a calhar. Afinal, o desemprego é a pauta do momento nos assuntos de família e amigos, onde sempre fica-se sabendo quem foi a “bola da vez”. Nossa vulnerabilidade diante das circunstâncias tem tirado o sono de milhares, e não há nada que possamos fazer para estarmos imunes às contingências da realidade nua e crua que nos cerca.

Em vista de nossa impotência diante de uma iminente escassez, como manter a resiliência e não entrar em colapso?

Não é difícil notar que parece haver uma busca incessante por um melhor padrão de vida em quase todos, o que seria muito sensato não fosse a distorção que o conceito de “qualidade de vida” sofreu nos últimos anos devido ao consumismo latente.

Melhor padrão de vida significa para a maioria poder fazer aquilo que der vontade. Ou seja, gastar com o quiser sem que isso comprometa suas necessidades básicas, e ter o maior número de bens que puder. Esse tal padrão de vida é alimentado por uma falsa tranquilidade que o dinheiro oferece. No entanto, se houver uma mínima possibilidade desse castelo de areia ruir, já será o suficiente para que o desespero venha à tona. Embora todos saibam que quanto mais alto, maior é a queda, muitos parecem não se intimidar, pois almejam cada vez mais altas posições. No entanto, nosso “medidor de satisfação interno” parece aumentar conforme a inflação e proporcional a esse aumento vem também a inquietação de quem a qualquer momento pode perder tudo.

Os comerciais na TV e principalmente as novelas, por exemplo, podem nos fazer acreditar que nossa vida não é tão boa quanto poderia ser, mas certamente seria melhor se tivéssemos uma vida igual a do protagonista da novela das 20h. Na verdade, a grande razão da nossa insatisfação é que estamos sendo condicionados a gostar daquilo que não temos ao invés de gostar daquilo que já temos. O consumismo corrompeu em nós a capacidade que tínhamos de reconhecer o valor das pequenas coisas e com isso estarmos contentes.

Como um rato cai na ratoeira seduzido pelo queijo, também fomos abatidos por nossas próprias ambições e sensações ilusórias de necessidade. Na medida em que o avanço tecnológico ganha o mundo, nos sentimos impelidos a acompanhar e atender todas as suas demandas, e assim somos massacrados por uma avalanche de novidades infinitas.

O contentamento nos tira dessa corrida sem fim e livra-nos da meta imposta pelo senso comum. Proporciona-nos o tão desejado descanso de alma que muitos desconhecem, pois vivem atormentados pela competitividade difusa de uma sociedade consumista.

Aquele que aprende o segredo do contentamento vive livre de faltas, pois só se importa com faltas aquele que não consegue enxergar o que tem.

Tente perceber como as mais belas e importantes experiências da vida estão escondidas nas coisas mais simples.

A felicidade genuína ninguém precisa correr atrás. Muito pelo contrário, o segredo é parar e deixar-se alcançar por ela. Isso não tem a ver com comodismo, preguiça ou inércia. É ter sensibilidade para perceber o quão inútil é essa corrida, e que se você continuar, em algum momento da da vida vai olhar para trás e, frustrado, verá que tudo foi em vão e que na verdade não chegou a lugar algum.

O segredo do contentamento nos mantém firmes e tranquilos perante um mundo desesperado e inquieto. Aprendendo a não depositar nossas esperanças em fatores externos porque entendemos que nada que venha de fora trará satisfação plena, pois a satisfação é fruto da ótica a qual eu me enxergo e enxergo o mundo ao meu redor.

Sobre o autor

João Carlos

João Carlos

João Carlos é um maltrapilho anônimo brincando de ser escritor. Em dias comuns, trabalha para sustentar seu vício em café e chocolate. Na folga, gasta a maior parte do seu tempo colecionando pensamentos subversivos. Repudia clichês, mas não resiste a uma alma sincera.