Psicologia & Comportamento

3 dicas práticas para lidar com a angústia.

angústia
João Carlos
Escrito por João Carlos

Embora hajam diferentes razões que expliquem a angústia de cada indivíduo, existem alguns atenuantes que podem ajudar em tempos de crise.

Há dias em que sentimos um vazio imenso no peito sem ao menos saber o motivo. Quão bom seria se todas as nossas aflições de alma pudessem ser identificadas uma a uma, assim, reconhecendo o que é ou o que são os elementos que estão por trás do sofrimento, seria muito mais fácil suportar, ou quem sabe, até mesmo se livrar de tanto desassossego.

Chorar às vezes é a única saída, porém, nem todos conseguem colocar para fora o que lhes sufoca por dentro – o que faz com que o aperto no peito aumente ainda mais. São tantos “sapos” que engolimos na vida que nos acostumamos com um estilo de vida omisso e que ri quando, na verdade, quer chorar. Aprendemos desde cedo que vulnerabilidade é sinônimo de fraqueza, e que se quisermos ter sucesso na vida, devemos esconder nossas fragilidades a qualquer custo, ainda que isso custe nossa própria felicidade.

Se pudesse definir em algumas poucas palavras o que é a angústia, descreveria como sendo os anseios de uma alma inquieta, em ebulição. Que armazena em si mais perguntas do que respostas, experimentando constantemente o azedume de um desconforto infindo, misturado às incertezas de um amanhã desconhecido.

Mas o que diabos fazemos tanto (ou deixamos de fazer) que parece amplificar cada vez mais esta frequente agonia?

Desconfio que se a vida viesse com um manual de instrução, certamente lá estaria escrito que fraquezas não expostas se transformam em angústias silenciosas. É compreensível que queiramos ser vistos e reconhecidos como pessoas fortes, afinal, assumir fracassos não traz orgulho a ninguém. No entanto, mascarar nossa fragilidade não fará com que ela evapore da nossa consciência. Pelo contrário, ganharíamos muito mais se não gastássemos tanta energia fingindo um sucesso que nunca tivemos e sendo quem nunca conseguimos ser.

Carrego comigo alguns princípios e hábitos que me auxiliam nessa limpeza emocional que todos nós precisamos para nos mantermos longe desse sentimento.

FALE

Hesitamos tanto em expressar nossas emoções e sentimentos que não resta outra saída para a alma humana do que manifestar-se através da angústia. E é aqui que muitos de nós estamos nesse exato momento: entalados com as próprias palavras que nunca foram ditas ao longo do tempo. Fale, por mais absurdo que seja. Se estiver dentro de você, então fale! Não vá dormir atormentado pelos seus pensamentos enquanto se afoga num oceano de auto crítica por achar que o que você tem a dizer não é relevante. Não falamos muitas coisas que gostaríamos porque temos medo da censura alheia, de se afastarem de nós. No entanto, há pessoas em nossa volta que nos amam e que prezam por nós. Vença seu próprio orgulho e procure quem possa te ouvir. Lembre-se de que nunca se vence uma guerra lutando sozinho.

CANTE

Está angustiado? Então, cante! Desafinado mesmo, mas cante. Cantar nos induz a soltar o ar preso nos pulmões ajudando a regular e estabilizar o ritmo da nossa respiração. O famoso “nó na garganta” e a falta de ar vêm, entre outros fatores, por não sabermos respirar devidamente em momentos de tensão. Quando estiver aflito, escolha sua melhor playlist e cante à vontade (nada de “sofrência”). Aqui vale a pena escolher canções que tocam você e carregam em si mensagens inspiradoras. Sempre haverá uma música que traduzirá em palavras os seus sentimentos mais ocultos de uma forma que você nunca conseguiria formular sozinho. Essa é a beleza da arte musical. Pense, não é a toa que crescemos ouvindo aquele famoso ditado que diz: “quem canta, seus males espanta.”

RESPEITE-SE

Somente alguém que não se respeita é capaz de alimentar maus pensamentos acerca de si. E é isso que você faz toda vez que acolhe como verdades incontestáveis as críticas que recebe, seja de si mesmo ou dos outros. Quando não priorizamos o bem estar da nossa saúde mental, acumulamos dentro de nós lixos emocionais que se revelam através da angústia. É necessário, portanto, aceitar-se com compaixão. Ser tolerante com os próprios erros e aprender a celebrar os acertos. Trate-se com humildade e seja generoso consigo mesmo.

 

Sobre o autor

João Carlos

João Carlos

João Carlos é um maltrapilho anônimo brincando de ser escritor. Em dias comuns, trabalha para sustentar seu vício em café e chocolate. Na folga, gasta a maior parte do seu tempo colecionando pensamentos subversivos. Repudia clichês, mas não resiste a uma alma sincera.