Psicologia & Comportamento

De onde vêm nossos vícios e pulsões? Como superá-los?

vício
João Carlos
Escrito por João Carlos

Saiba como interromper este ciclo vicioso e compulsivo ao qual você encontra-se preso.

Em milhares de anos de existência da raça humana, ele sempre esteve presente, revelando nossa vulnerabilidade diante das ilusões que nos prometem prazer e felicidade. Segundo estudiosos, o vício pode ser uma tentativa hedonista e inconsequente de buscas obcecadas pelo próprio prazer, ou até mesmo alguma predisposição genética. No entanto, a causa de quem recorre a esse tipo de solução pode estar no sentimento de vazio profundo que experimentam ao longo de suas vidas. Supera-los.

Todo ser humano carrega em si uma necessidade de transcendência e uma busca inexplicável por algo que não se sabe bem o que é nem de onde vem. Quando não encontramos nada que nos preencha, viciar-se em algo se torna a melhor opção, pois nos proporciona prazer imediato e é como um analgésico que ameniza, pelo menos por alguns instantes, o incômodo profundo de quem ainda não conhece o sentido da própria vida. É como um grito de desespero da alma, que topa qualquer coisa para ter um pouco de prazer em meio ao caos, funcionando como uma válvula de escape que nos permite fugir por algumas horas da realidade infeliz ao qual nos encontramos.

Em geral, quem se deixa levar pela ilusão de prazer que um vício proporciona são aqueles mais sensíveis e reativos nos quais a sensação de “não tenho nada a perder” predomina. São pessoas que perderam a auto estima e o senhorio sobre si mesmas – vivendo no limbo entre a vida e a morte, sem experimentar ambos.

Quebrando o reflexo condicionado

Como mencionei acima, o que nos leva ao vício é o buraco existencial que existe em nossa alma. No entanto, após um tempo isso não será mais o fator predominante, devido ao fato de que todo vício gera um condicionamento. Condicionamentos são gatilhos mentais ao qual seu cérebro recorre cada vez que é estimulado por alguma circunstância, seja ela boa ou ruim. Exemplo: “Sempre que me sinto tenso ou nervoso, me dá vontade de fumar.” Ou “Sempre que estou com amigos não consigo deixar de beber.” A isso chamamos de reflexo condicionado, descoberto por Ivan Pavlov, um fisiólogo renomado do século 19 que em seu experimento na coleta de saliva de cães, percebeu que após um tempo com o cão sendo submetido às pesquisas, já estava salivando antes mesmo de ser exposto a algum alimento. O que levou Pavlov a realizar outra pesquisa: sempre antes de entregar a comida ao cão, Pavlov usava um metrônomo que emitia um barulho acompanhando a comida logo em seguida. Com o tempo, apenas com o toque do metrônomo o cão já salivava como se estivesse vendo a comida. Ele já estava associando o toque ao alimento que receberia, ou seja, estava completamente condicionado.

Seres humanos também são passíveis de condicionamento, e neste caso, a única solução para neutralizar esse condicionamento é quebrar o ciclo ao qual o cérebro se viciou. No início gerará crises de abstinência, pois você estará quebrando um ciclo de anos, quem sabe décadas. Logo, é normal que seu cérebro estranhe a ausência da substância à qual você o alimentava. Mas não se desespere, pois trata-se de um período passageiro, e logo você perceberá que os impulsos perderão a força. Vício a gente mata de fome. Na medida em que vai passando o tempo, ele vai ficando cada vez mais fraco em nós.

Recomeçando

A quebra do ciclo vicioso é o que precisa ser feito já, imediatamente. Mas outra parte importante, e que infelizmente muitos negligenciam, é o recomeço. Ou seja, uma vez que você já recuperou o controle sobre si, é necessário entender quais foram as razões que o levaram a cair no vício. Do contrário, sua alma continuará vazia e em busca de prazer e sentido para a sua existência. Caso você não procure ocupar seu mundo interior e alimentar a sua alma com bons pensamentos e ideias, você estará sujeito e muito mais vulnerável a cair em algum momento. Muitos encontram sentido na religião, outros no esporte, alguns na família ou em qualquer atividade – não importa o que seja, desde que você encontre o que dá sentido à sua vida, pois esse é o único fator que nos diferencia das outras criaturas movidas apenas por pulsões e hormônios. Como seres conscientes e transcendentes, cabe a nós tomarmos as rédeas de nossa própria vida e fazer as escolhas certas. Escolha ser o que você nasceu para ser: livre.

Sobre o autor

João Carlos

João Carlos

João Carlos é um maltrapilho anônimo brincando de ser escritor. Em dias comuns, trabalha para sustentar seu vício em café e chocolate. Na folga, gasta a maior parte do seu tempo colecionando pensamentos subversivos. Repudia clichês, mas não resiste a uma alma sincera.