Psicologia & Comportamento

“Bondadismo” – A síndrome do bonzinho

bonzinho
João Carlos
Escrito por João Carlos

Você anda sentindo-se explorado pelas pessoas? Com dificuldade de dizer “não”, mesmo para quem te faz mal? Caso a resposta seja “sim”, então, quem sabe, esse texto possa te ajudar.

“Bondadismo” não é um termo clínico, mas pode ser conhecido também como “Síndrome do Bonzinho”.

Esse problema é mais comum entre mulheres por serem mais afetivas, e algumas, por terem sido fortemente influenciadas na infância com uma cultura de total submissão por parte do pai e da mãe.

Nos homens, um dos motivos recorrentes é a insegurança que talvez tenha tido sua origem na ausência do pai. Eles não são assertivos, e temem conflitos externos. Por isso aceitam tudo que lhes é imposto.

Não é fácil chegar a conclusão sobre quem pode ou não sofrer de “bondadismo”. E temos que tomar cuidado para não confundir qualidades como generosidade e bondade – pois essas são espontâneas – elas não carregam nenhuma segunda intenção e nenhum tipo de barganha.

A bondade do bonzinho (a) é fruto de uma carência que deseja colecionar amigos e admiradores. Eles usam seus favores para manipular e terem aceitação. Pois sabem que dificilmente alguém terá a coragem de dizer alguma coisa contra sua “boa vontade”.

Algumas características do “bonzinho”:

  • Eles carregam a obsessão de serem reconhecidos como “pessoa boa”.
  • Geralmente são carentes ao extremo e sentem uma necessidade enorme de serem reconhecidos pela “bondade” que praticam.
  • São pessoas um tanto depressivas. O fato de nunca serem tratadas de acordo como tratam os outros, as deixam profundamente tristes.
  • Oferecem-se sem limites, e ficam aflitos para prestar favores mesmo que não sejam solicitados.
  • Se zangam quando as pessoas põem limites em sua bondade.
  • Se magoam e se frustram facilmente. São hiper sensíveis.
  • Eles nunca conseguem dizer “não”, mesmo quando são explorados pelos outros.

6 dicas que podem te ajudar a se livrar desse comportamento auto destrutivo:

  1. O bom senso exige equilíbrio. É necessário que você aprenda a respeitar o espaço e a intimidade das pessoas.
  2. Regra básica: Você só será amado quando desenvolver a capacidade de se amar primeiro.
  3. Nunca preste um favor do qual não tenha sido solicitado. Exceto em situações emergenciais.
  4. Entenda que nem todos gostarão de você. E isso não deve ser encarado como um defeito seu, e sim consequências naturais da vida e questões de afinidade.
  5. Pratique a bondade e generosidade. Mas coloque limites em si mesmo. Lembre-se de que nem todos querem ou precisam da sua ajuda.
  6. Não dê tanta importância aos julgamentos alheios. Aprenda a dizer “não” quando necessário for.

Conclusão:

Lembre-se que até bondade em excesso faz mal, como tudo na vida. Nossa generosidade deve ser fruto de um coração limpo de qualquer interesse ou carência, e deve estar baseado apenas em nosso caráter. Não seja “bonzinho”, seja bom.


Leia também: A tentação (quase) irresistível da auto piedade. O que fazer para não cair nela.

Sobre o autor

João Carlos

João Carlos

João Carlos é um maltrapilho anônimo brincando de ser escritor. Em dias comuns, trabalha para sustentar seu vício em café e chocolate. Na folga, gasta a maior parte do seu tempo colecionando pensamentos subversivos. Repudia clichês, mas não resiste a uma alma sincera.