Cinema

As Aventuras de PI e a fé

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João Carlos
Escrito por João Carlos

O que esse enigmático filme nos ensina sobre a fé.


“As Aventuras de PI” é um daqueles filmes emocionantes que nos prendem no início ao fim, e enquanto assistimos é freqüente a sensação de há mensagens escondidas em cada cena.

Resumo do filme

O longa conta a história de um menino indiano, que ao migrar de seu País com sua família e os animais do zoológico de seu pai, foram surpreendidos por uma devastadora tempestade no oceano pacífico. Daí segue-se a história com o jovem PI Patel num bote salva vidas com quatro animais: um tigre, uma zebra, uma hiena, e um orangotango.

A luta pela sobrevivência e a convivência de PI com um furioso tigre de bengala dentro de um mesmo bote é o que energiza o filme. Sem contar a filmagem incrível.

De fato, as Aventuras de PI é um filme que nos ensina muitas lições, no entanto, a essência do filme é revelada no final, quando PI conta a história para dois funcionários da agência de seguros que o abordaram no hospital em que estava internado. Estes, não acreditando na história de PI, achando-a fantasiosa demais, pediram-no que contasse uma história em que as pessoas acreditassem, e que fosse mais realista. PI aceitou e contou outra história: desta vez não tão rica em metáforas, e nem tão emocionante quanto à outra.

Nessa outra versão, PI revela que os animais, na verdade, representavam pessoas: o orangotango era a mãe de PI, a zebra era um marinheiro, a hiena era o cozinheiro, e ele mesmo estava sendo representado por Richard Parker, o tigre.

Interpretação do filme

A magia do filme e a razão pela qual o achei tão profundo é que no final, conversando com um escritor ateu, PI diz que nas duas histórias ele perde a família e sofre, ou seja, independentemente da história, o fim é o mesmo. E então ele pergunta ao escritor em qual das duas histórias ele prefere acreditar: na versão com metáforas, ou na história factual. Ao responder que prefere a história em que estão os animais, PI diz que o mesmo se aplica a Deus.

Ouvimos falar de Deus não em duas ou três formas diferentes, mas centenas. Há muitas histórias que explicam (ou tentam explicar) Deus. O que o filme nos leva a refletir, é que isso não parece ter muita importância, porque o fim de todos será igual – independentemente da história em que você acredita. Todos estarão frente a frente com Deus um dia, mas por enquanto tudo parece não passar de mera especulação. Enquanto vivos, cabe tomarmos para nós a história que mais nos faça sentido, a história que nos toque o coração e nos revele quem Deus é. É disso que se trata a fé: crer no invisível e se relacionar com esse Deus que parece não querer ser visto com os olhos, mas que é percebido a todo momento pelo coração humano.

Sobre o autor

João Carlos

João Carlos

João Carlos é um maltrapilho anônimo brincando de ser escritor. Em dias comuns, trabalha para sustentar seu vício em café e chocolate. Na folga, gasta a maior parte do seu tempo colecionando pensamentos subversivos. Repudia clichês, mas não resiste a uma alma sincera.