Desenvolvimento Pessoal

Amor Próprio – Sobre pijamas e roupas de baixo

Débora Duarte
Escrito por Débora Duarte

Um texto que trata de amor próprio e do cuidado consigo mesmo.

Como você cuida de si mesmo?

Por Débora Duarte

Um compositor popular certa vez transformou em canção o seguinte pensamento: “quando a gente ama, é claro que a gente cuida”. Um dos sinais mais evidentes do amor é o cuidado. O quanto você tem se amado fica evidente no quanto você tem se cuidado. Aqui não me refiro estritamente ao cuidado cosmético, mas quero falar sobre o cuidado consigo de forma geral, num sentido amplo, incluindo cuidado com as emoções, com os pensamentos, com as exigências e expectativas que geramos sobre nós mesmos.

Com os outros, ponderamos o tom da voz, pedimos “por favor”, dizemos “obrigada”, mas com a gente mesmo, é cada pancada… Não perdoamos a nossa menor falha. Se falamos ou fazemos algo inadequado, passamos horas a fio remoendo, revivendo a angústia do erro. Por que? Para que? Se temos a consciência de que erramos, basta aprendermos com o ocorrido e tomarmos cuidado para não errar mais da mesma forma. Não precisamos permanecer ruminando o fato, nos envenenando e torturando instantes a fio.

Outro aspecto importante nessa questão é a forma como investimos nosso precioso tempo. O melhor de nossas horas de vida tem sido ofertado como sacrifício a um sistema cruel que se alimenta de nós mesmos e muitas vezes nem notamos. Piscamos, e já é Natal de novo. O que fizemos entre um dezembro e outro? Nem sempre lembramos direito como gastamos nossos dias, infelizmente porque, muitas vezes, eles não são vividos de maneira significativa. Criamos tempo para tanta coisa inútil e negligenciamos a importância de momentos preciosos de solitude, que é bem diferente de solidão. Enquanto o segundo estado representa sofrimento, o primeiro é uma reclusão voluntária, momento privativo em que o sujeito busca ouvir a si mesmo. Somos pressionados a estar em grupo constantemente. Nossos amigos e familiares são fundamentais, mas às vezes é preciso estar só.

Marque um encontro consigo mesmo e não falte. Vista sua melhor roupa para estar a sós consigo: a nudez. Tire as vestes da preocupação, da ansiedade, das pressões, da necessidade de perfeição e encontre-se consigo. Muitas pessoas precisarão fazer as pazes consigo mesmo para esse encontro acontecer. Se você é uma delas, perdoe-se. Não perca tempo ressentindo-se da forma equivocada com que tem se tratado a tanto tempo. Seja bom consigo mesmo, você só tem a ganhar.

Talvez no início do encontro um silêncio constrangedor pesará no ambiente, mas depois, como velhos amigos que não se viam a muito tempo, você e seu interior, sua alma, começarão a conversar, a rir, talvez a chorar. Irão continuar a conversa do ponto em que ela foi interrompida pela pressa dos dias tão corridos.

Para mediar a conversa, convide uma folha de papel, uma boa música ou quem sabe uma taça de vinho ou xícara de café, dependendo do seu gosto pessoal. Apenas, seja honesto. Sem disfarces. Lembre-se de que consigo mesmo eles são desnecessários.

Depois desse encontro, aposto que você vai prestar mais atenção nos seus pijamas e roupas de baixo, porque vai querer se cuidar mais, porque vai estar se amando mais.

Sobre o autor

Débora Duarte

Débora Duarte

Débora Duarte é professora de História, mãe da Isabela e esposa do Felipe. Fascinada pela vida em todos os sentidos, busca refletir sobre seus diversos aspectos, dos mais sutis e corriqueiros aos mais complexos e profundos.